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A verdade da Copa 2014
 


Trem é uma bala perdida e não servirá para a Copa de 2014

O blogueiro Jorge Hori avalia as incertezas em torno do projeto para o TAV

 


O TAV é um trem-bala perdida?

Jorge Hori

Do site Sinaenco

A ligação terrestre rápida entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro é uma das principais promessas de investimentos em infraestrutura para a Copa 2014. O estudo desenvolvido por um consórcio britânico-nacional, ora divulgado pela ANTT (www.tavbrasil.gov.br) indica que o empreendimento poderá ser um “trem-bala perdida”.

Os estudos de demanda, elementos principais para avaliar a receita, priorizam o uso de modelos matemáticos, mas simplificam as premissas e os dados de entrada. Partem da comparação a partir das estações de passageiros e não da origem inicial e do destino final (ambas expressões tautológicas, mas necessárias) dos usuários do transporte aéreo. Como tal serão questionados e irão atrasar o processo.

Será natural que os concorrentes queiram garantias de caráter institucional, por exemplo a restrição aos ônibus fretados (aliás, como pretende a Prefeitura de São Paulo), ou a eliminação da ponte aérea entre Rio e São Paulo. São compromissos que podem ser estabelecidos, mas sem garantia de manutenção. Uma nova administração municipal pode mudar as regras, assim como a ANAC pode permitir o restabelecimento da ponte aérea. Quem mora em Campinas e São José dos Campos e trabalha em São Paulo poderia optar pelo ônibus fretado. E a redução nos tempos de espera ou de embarque, nos aeroportos de Congonhas e Santos Dumont poderá reduzir o tempo da viagem aérea, eliminando uma suposta vantagem do TAV.

Assim, os concorrentes poderão pedir e prever no contrato as compensações por quebra no equilibrio econômico-financeiro do contrato. O Governo pode assumir esse compromisso? Com tantas questões, ainda em aberto, o TAV não ficará pronto para a Copa 2014.

Divulgado o estudo dos consultores sobre a viabilidade do trem de alta velocidade, mais conhecido como "trem-bala" fica a dúvida sobre a quem esse trem vai atender. Existem três grandes públicos para o trem de alta velocidade, que justificam a sua implantação:

•     o que precisa se movimentar de um aeroporto internacional a outro, em função da distribuição da malha aérea e dos voos;
•     o que usa o trem para viagens de negócios, de uma região metropolitana a outra;
•     o que usa o trem como principal meio de transporte entre a residência e o trabalho.

A proposta do estudo privilegia o primeiro público: o TAV é uma ligação entre Viracopos, Guarulhos e Galeão, passando por São Paulo. Com isso atenderia, prioritariamente, os viajantes de voos internacionais para conexões internacionais ou nacionais. Esses não teriam a opção do modo aéreo, pois as ligações terrestres decorreriam da saturação de capacidade dos respectivos aeroportos. A opção no caso está nos investimentos: ampliar os aeroportos ou implantar um trem de alta velocidade?

O TAV não é viável apenas com a movimentação de conexão e de redistribuição de passageiros de voos. O segundo principal público seria o dos que moram nas bordas das respectivas regiões metropolitanas e trabalham nessas. Moram em Campinas e trabalham em São Paulo e vice-versa. Moram em São José dos Campos e trabalham em São Paulo e vice-versa. Moram no Vale do Paraíba e trabalham no Rio de Janeiro e vice-versa.

O TAV, como proposto, não tem diferenciais competitivos relevantes para atrair o público dos "fretados", mesmo com as restrições que o Municipio de São Paulo pretende estabelecer a esses. Além de ter um custo maior. Para captar esse público o TAV precisaria chegar o mais próximo dos principais polos de trabalho ou de moradia de médio e alto padrão. Essa aproximação, no caso da cidade de São Paulo, está prevista no Campo de Marte, o que poderia ser uma conexão por helicópteros, mas pouco adequada, pela via terrestre.

O terceiro público é o das viagens de negócios entre os três polos: São Paulo e Rio de Janeiro, e vice-versa; Campinas e Rio de Janeiro e vice-versa. Para as viagens de negócios entre São Paulo e Campinas o TAV teria a concorrência do automóvel e dos "fretados". Dada a distância relativamente curta, boas condições rodoviárias e dos serviços de ônibus. Considerando os tempos prévios de embarque o tempo total da viagem aérea pode ficar maior.

Na comparação entre a opção aérea ou terrestre (de alta velocidade) há preliminarmente uma condição emocional. Há pessoas que tem idiossincrasia com o transporte aéreo e tendo uma opção terrestre com tempos próximos só usarão esse último. Independente de outros fatores. Para uma comparação racional, tempo e custo deveriam ser os fatores principais. Na questão do tempo, o estudo faz as comparações a partir da estação de passageiros, não tendo ampliado os estudos de demanda para a origem e destino. Dados os congestionamentos de trânsito, o tempo de viagem deve considerar o tempo de acesso da residência à estação de passageiros. E também da estação de passageiros e o destino.

Tanto São Paulo como o Rio de Janeiro contam com aeroportos para voos domésticos, muito próximos dos principais polos de moradia de classe média e superior e de escritórios. Tanto em um (Alphaville) como em outro (Barra da Tijuca) há uma descentralização, mas não na direção dos aeroportos internacionais onde haverá a ligação do TAV. Considerando os tempos de acesso à estação de passageiros no Campo de Marte, se for em função do tempo de viagem muitos permanecerão no modo aéreo, não se transferindo para o ferroviário. Ademais é preciso considerar o cenário do restabelecimento da ponte aérea. As Cias aéreas não querem a ponte aérea. Mas, diante de uma ameaça real, com uma redução de demanda, com o efetivo funcionamento do TAV, voltarão a estabelecer a ponte aérea, acompanhada de mecanismos que facilitem a compra do bilhete com tempo mínimo entre a chegada à estação de passageiros e o embarque.

No caso de São Paulo, não pode se desconsiderar que quando o TAV começar a funcionar, o trecho sul do Rodoanel já estará em plena operação, com a liberação da Avenida dos Bandeirantes e também da Avenida Roberto Marinho, enquanto a Marginal do Tietê continuará sendo a principal rota dos caminhões de carga, dificultando o acesso ao Campo de Marte.

Com tantas dúvidas em relação às projeções de demanda, para um empreendimento de bilhões de dólares, o processo ainda precisará ser muito discutido e amadurecido, para que os concorrentes privados se arrisquem, efetivamente, a investir.

O TAV ainda é uma bala perdida. Sem rumo claro. Não atenderá ao público da Copa de 2014.



Escrito por Cláudio Luiz Nunes às 10h18
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Por Copa 2014, governo vai liberar R$ 3 bi "de início"

Do Portal Terra

O governo federal garantiu R$ 3 bilhões para investimentos em obras destinadas exclusivamente para a Copa de 2014 e pretende lançar um pacote de obras, intitulado PAC da Copa (Programa de Aceleração do Crescimento).

De acordo com o ministro das Cidades, Márcio Fortes, estão previstos mais recursos para obras relativas à realização do campeonato mundial de futebol, mas o volume total só será definido após reunião com representantes dos municípios que serão sedes dos jogos.

"Esse valor é só para começar. Não temos valor total definido. Esses R$ 3 bilhões servirão para darmos um passo inicial. Ainda não temos a avaliação do total de projetos. Nós vamos chamar os prefeitos para conversar e saber deles quais são os projetos prioritários", disse o ministro.

Os recursos são do Pró-Transporte, um programa de financiamento com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que teve seu regulamento aprovado no ano passado pelo Conselho Curador do fundo. Os R$ 3 bilhões referem-se a recursos destinados ao FGTS no prazo de 3 anos, sendo R$ 1 bilhão de investimentos, a cada ano.

De acordo com Fortes, muitas prefeituras já procuraram o ministério interessadas em parcerias para a realização de obras estruturantes destinadas exclusivamente à Copa que se realizará no Brasil.

"Há algum tempo, recebemos indicações das prefeituras das cidades que serão sedes dos jogos. Os municípios estiveram com a Fifa e receberam a indicação de vários projetos que gostariam de realizar. Nossa posição é a de tratar de projetos que digam respeito exclusivamente à Copa. Nosso objetivo, nesse momento, não será resolver os problemas de mobilidade nas cidades. Nós vamos ajudar a resolver problemas ligados aos eventos", destacou.

Outro quesito a ser observado pelo Ministério das Cidades é sustentabilidade dos investimentos depois da competição. De acordo com o ministro, a análise também vai verificar se determinado investimento tem utilidade e sustentabilidade fora dos dias da Copa.

"Não vamos tratar de projetos nababescos. Vamos comparar modais. É necessário ver qual meio de transporte é mais barato e eficiente. É claro que cada caso vai ser analisado separadamente. Cada caso é um caso. Vamos observar, ainda, como é que fica a operação desses modais depois da Copa. Tem que ser um projeto sustentável. Não podemos ter uma linha que não funciona e o governo tenha que tornar a subsidiar tarifas depois. Além disso, os cronogramas de execução devem estar dentro do cronograma da Fifa, ou seja, até um ano antes tudo tem que estar concluído", explicou o ministro.

Fortes disse que o PAC da Copa vai prever parcerias com as prefeituras e com os governos dos estados, além de algumas parcerias com o setor privado.

"A palavra-chave nesse negócio é a parceria. Não terá nada só do governo federal. É como no PAC de criação de infraestrutura, no qual nós já temos parcerias com as prefeituras e governo estadual, além de parcerias público-privada. Vamos ver o tipo de investimento proposto, analisar seu vulto e a necessidade de participação do setor privado, que pode ser firmada de várias maneiras. O setor privado pode construir e depois alugar os ativos, pode ser que o setor privado queira operar. Tudo isso será conversado", afirmou.

O ministro lembrou que já faz parte das ações preparatórias para a Copa do Mundo a abertura de uma linha de financiamento, com recursos do FGTS, para a renovação da frota de ônibus em todo o país, uma decisão tomada há cerca de dois meses. A linha será operacionalizada pela Caixa Econômica Federal e terá valor de R$ 1 bilhão.

Os recursos serão aplicados em operações de mercado, como a aquisição de debêntures, recebíveis e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FDICS), de empresas concessionárias de serviços públicos e transporte urbano, com o objetivo expresso de que esses recursos sejam encaminhados para a aquisição de veículos novos que sirvam para a renovação de frota.

"Nosso objetivo é disponibilizar capital de giro para a renovação da frota", declarou o ministro.



Escrito por Cláudio Luiz Nunes às 10h13
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Ministério Público paulista quer proibir bebidas alcoólicas na Copa-2014

Do UOL Esporte
Em São Paulo
A violência nos estádios brasileiros pode influenciar na organização da Copa do Mundo de 2014. Temendo possíveis problemas de segurança durante o evento, o Ministério Público de São Paulo promete lutar contra a venda de bebidas alcoólicas nas arenas que receberão a competição.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), através de um protocolo de intenções, proibiu a comercialização de bebidas alcoólicas em estádios brasileiros a partir de abril de 2008. A decisão, porém, corre o risco de ser revogada, pois contraria os interesses da Fifa. A entidade máxima do futebol tem uma grande cervejaria como uma das patrocinadoras da Copa do Mundo.

"Se assim entender a Justiça que deve ser liberado, nós vamos acatar. Mas o Ministério Público, em defesa da sociedade, vai brigar com todas as armas para que isso não seja permitido", disse o promotor Paulo Castilho à Agência Brasil. "Não é porque vem aqui uma poderosa fabricante [de cerveja] que vai querer mandar no Brasil. Pode até conseguir isso, mas vai ter de conseguir isso por intermédio da lei ou por decisão do Poder Judiciário".

Responsável pelo policiamento dos eventos esportivos da capital paulista, o tenente-coronel Almir Ribeiro teme que a liberação possa trazer problemas durante o Mundial. "Se a Fifa determinar isso [liberação], vamos ter que estudar e chegar a um termo de ajustamento. O ideal seria como está sendo praticado hoje no Brasil, proibindo (a venda). Temos tido bons resultados dessa maneira", comentou Ribeiro.

Não existe uma lei que proíba a venda de bebidas alcoólicas nas arenas esportivas. Por causa disso, as autoridades apelam ao "bom senso" da CBF para que a decisão seja mantida. "A decisão de proibir bebidas alcoólicas nos estádios é da CBF. Mas esperamos que a CBF se mantenha coerente, porque teve um efeito bastante positivo dentro dos estádios", disse o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay.


Escrito por Cláudio Luiz Nunes às 10h05
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